14 de outubro de 2010

a inflexibilidade de uma ressaca

hoje foi um daqueles dias que nem sei como consegui sair da cama a horas, para me deslocar para o "armazém" (onde me dizem que trabalho)! ontem foi completamente sem intenção, as coisas (as super bocks) foram-se sucedendo a grande ritmo e quando dei por ela, ainda nem meia noite era, e já me sentia como uma "cabra no monte" - a desafiar as leis da gravidade, que me impeliam em direcção ao chão...
a manhã despertou violenta, pois todos nós alcoólicos nos tempos livres, sabemos o quão sacana e inflexível pode ser uma ressaca a um dia de semana. eu tentei, entrei no armazém cheio de genica, energético, sorridente, mas a minha voz de cama (rouquidão) rapidamente me denunciava, mas para isso era preciso haver alguém que reparasse nisso (lucky me!). diga-se em abono da verdade, que fico com uma postura mais sexy ao telefone quando estou neste estado, os clientes devem achar que estão a falar com um acompanhante de luxo! mas enfim, sou tão sortudo (mijão é como se diz no norte), que ainda nem tinham passado 5 minutos desde que tinha entrado no "armazém" e eis que me dizem que um dos meus clientes fechara negócio! - "- fantástico, já mereço tomar um café!" - exclamei em frente ao chefe, enquanto me dirigi à máquina de café do "armazém" e o que eu precisava desse mesmo café... um gajo quando acorda ressacado, já é um acontecimento chegar a horas, mas para que isso aconteça existem diversas coisas que são necessariamente postas de lado, tipo tomar um duche, olhar para o que levas vestido, lembrar do percurso feito entre casa e trabalho, preparar almoço para levar, pequeno almoço, enfim, os efeitos secundários da vida boémia.
mas voltando ao convívio de ontem, que me conduziu a esta inflexibilidade em forma de ressaca,

felizmente ontem tinha companhia de pares, quase todos nós em efeito "cabra do monte" bastante cedo e ainda conseguimos ir a mais alguns sítios, beber umas cervejas e ver umas vistas. tenho noção que estava impossível de aturar ontem, eu bem que ando a fazer desporto, mas não consigo tirar os prazeres da carne da cabeça...
depois de um périplo pela baixa da invicta, que teve o seu início ali para os lados de cedofeita, no mítico guanabara (é óbvio que lá não se encontram gajas...), foi feita a tradicional visita ao piolho (era vê-las a passar à direita e à esquerda), depois zarpámos para as galerias lumiére (vazio, com música de anos 80 de engate, mas os finos só custam 1 €) e rapariga do bar era bem interessante, mais dois copos no pherrugem, seguida de paragem para minis a 0,50 € e panikes variados no 77. não ainda satisfeitos, ainda fomos virar umas carlsbergs no qdup (acho que é assim que se escreve), onde a conversa pela ausência de mulheres à nossa volta, continuou centrada nas mesmas, mas na perspectiva egoísta quase a puxar para o machismo, mas afinal já eram 4h da manhã, e estávamos claramente bêbados e carentes!

posto isto, ainda falta muito para sair do trabalho e ir para casa jiboiar para o meu sofá? coragem homem, que hoje ainda vais correr os teus 5 km ali ao pé do rio douro, porque sabes que queres virar um trintão jeitoso! mas quando me apanhar no sofá, vai ser para lá de perfeito! a puta da inflexibilidade é que estraga tudo mesmo...

2 comentários:

A efervescência da mente disse...

«Proposição das rimas do poeta»:

"Incultas produções da mocidade
Exponho a vossos olhos, ó leitores:
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade,
Que elas buscam piedade, e não louvores:

Ponderai da Fortuna a variedade
Nos meus suspiros, lágrimas e amores;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração de seus favores:

E se entre versos mil de sentimento
Encontrardes alguns cuja aparência
Indique festival contentamento,

Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela mão do Fingimento,
Cantados pela voz da Dependência."

- Bocage

Joana Santos disse...

Para começar, e sem intrujar ninguém, gosto muito como escreves meu caro Beto... as tuas palavras "são" muito verdadeiras e claras e também gosto do facto de não usares letras maiúsculas no inicio das frases, pode ser um ponto de distinção na hora de ganhar o NOBEL,... quase como um conceito. Faço aqui um STOP na parte do elogio, e comento o teu texto descritivo... Eu já senti o mesmo :)