1 de agosto de 2011

evidência como consequência...

as designadas redes sociais primam pela liberdade que permitem aos seus utilizadores, com o poder da palavra. muitos são aqueles que ali (nas plataformas sociais), colocam detalhes e pormenores das suas vidas, viagens, relacionamentos e demais motivações/preocupações pessoais. para alguns, os que mais dependem desta forma de comunicação, estas plataformas começam a substituir o simples acto da comunicação com as pessoas, muitas vezes mesmo com as pessoas que lhes são mais próximas. este distanciamento, que se vai cavando a cada "post" ou partilha, tem natural tendência para passar para o plano do real. os relacionamentos que efectivamente nos interessam, começam a ser tratados da mesma forma do que aqueles conhecidos do passado que vai sendo a nossa vida. digamos que passamos a nutrir um distanciamento equidistante de cada uma das pessoas na nossa lista de contactos, independentemente do nosso grau de afinidade com cada um dos indivíduos.

é com naturalidade que nos deixamos absorver por este vício virtual, cultivando relações de proximidade-distanciamento (ligadas apenas e só porque gostamos desta ou daquela foto/link/comentário), enquanto vamos remetendo para um canto as verdadeiras relações que alcançámos ao longo do nosso percurso de vida. não me espanta que o distanciamento se vá alargando sem que o emissor se aperceba desse mesmo facto. curioso é ainda reparar que por vezes - e sempre que algo foge aos nossos planos ou desígnios pessoais -, seja utilizado esse mesmo meio de comunicação, para confrontar as supostas afinidades importantes da nossa vida! mas isto é fruto desse tratamento indiferenciado que tanto cultivamos nas redes sociais, no fundo uma consequência das opções de cada um. no limite, e como já não estamos habituados a falar cara-a-cara com as pessoas, procuramos refúgio no mundo virtual (onde certamente teremos sempre quem nos dê alguns "like" por esse nosso desagrado). que contente o ego e nos dê uma falsa sensação de proximidade com alguns, mas eu continuo a preferir um beijo ou um abraço...

como resultado desta mesma postura, devemos pois render-mo-nos à evidência das consequências dos nossos actos.

2 comentários:

Martinha disse...

Concordo em pleno com tudo.
Mas a verdade também é que as "amizades virtuais" são tão menos exigentes e tão mais disponíveis tendo em conta as condicionantes cada vez mais estranhas da vida moderna..

Onde é que está a luz? disse...

obrigado pelo comentário!
o que eu estou é farto desta vida moderna e das suas condicionantes...